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Mostrando postagens de setembro, 2016

O ÚLTIMO SUSPIRO

                                                              Apesar do dia ser ensolarado, sua alma estava cinza. Sentado numa cadeira de balanço na clínica geriátrica ele ouvia Samuel Barber, concerto para violino.  A melodia evocava lembranças passadas. Ele se emocionou, o choro caiu de mansinho, molhando suas faces encovadas e opacas. Fez um esforço supremo para se lembrar de um passado que não queria recordar. Namorava Elisa, uma morena brejeira que era sua vizinha. Foram criados praticamente juntos num bairro sossegado de Bangu. Não eram ricos, mas viviam bem, em suas casinhas suburbanas com quintal e pequeno jardim, numa época em que a violência não se fazia presente. Elisa era a irmã do meio, de uma família de três, cujo irmão mais velho era amigo dele. Graciosa, gostava de balé e a professora via muito futuro ...

VENTO

Cheiro de mata Folhas caem carpeteando o chão Em vários matizes Árvores se vergam Ao sabor do vento O vento é forte Assusta os cães E desmancha a trança da mulher O cabelo voa Tomando formas inesperadas Ela fecha os olhos Ouve o zumbido do vento Numa virada Total silêncio Tão forte quanto tinha sido o vento Até assusta Parece que a natureza dolorida Pede tempo para se recompor A noite cai Uma infinidade de estrelas Ocupam o espaço celeste A mulher E seus cães entram na casa. Fim do dia