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Mostrando postagens de setembro, 2025

O CASAMENTO

  Para Paloma Dia de festa no arraial todos engalanados esperam a noiva chegar As fanfarras anunciam "Lá vem a noiva" Todos se levantam e aplaudem um jovem príncipe puxa o cortejo logo atrás a noiva e seu pai que estourando de felicidade não parava de chorar No altar o seu amor de sempre esperava Os sinos dobraram anunciando "juntos para todo o sempre" A festa continuou dessa vez ao som de batuque e samba no pé Uma cervejinha aqui e outra acolá No fim, todos também queriam se casar.

VELHICE

 A velha sentada na porta de sua casa Relembra amigas que já se foram E as que ainda não foram Mas é como se tivessem ido. Sua solidão é plácida  Está bem consigo mesma. Pensa nas mudanças Até o conversar,  Ontem prazeroso  Hoje vazio  O importante é  a foto para o Instagram. Vejam como somos felizes. Sentada continua até o sol se por. Dia tão lindo, pensou. Amanhã tem mais. Recolheu-se.

PELADA NO DECK

A mulher se esparrama no deck tira a roupa passa um bronzeador e se prepara para copular com o sol radioso naquela manhã de domingo abre as pernas e deixa um feixe de luz e calor inundar suas entranhas o  primeiro suspiro, o primeiro gozo vira de costas e oferece suas nádegas jovens e fortes e por ali o astro rei penetra satisfeito a morena goza de novo o verde pujante ao redor, também inebriado neste início da primavera goza oferecendo as primeiras flores e germinando sementes há muito adormecidas no solo  

MARIA DE JESUS

Quando Rubens morreu Parte de Maria morreu também  Dia após dia sua voz esmoreceu Coração fraco Diziam os médicos  Sem pensão, sem dinheiro Vivia à míngua morrendo a cada dia Telefonava aos amigos E com voz sumida Contava sua saga Ninguém aguentava ouvir seu sofrimento  Demorou Mas seu dia chegou Num belo domingo de sol E com pássaros celebrando  A chegada da primavera Maria se despediu E foi ao encontro de Rubens

DELÍCIAS

Me deixo lagartear sob o sol de inverno.  Sinto-me abraçada pelos raios solares que beijam meu corpo de forma delicada.  O céu escancaradamente azul me remete à uma canção que me embalava enquanto nadava de costas na piscina do Fluminense: Nel blu dipinto di blu, e quem cantava era Pepino di Capri. Afasto a saudade que me comove e olho em volta.  A natureza um tanto seca por conta da falta de chuva, ainda assim é exuberante.  Esqueço os perrengues, bolsonaro, máfia congressista e comemoro esses momentos de abandono.  É a primavera chegando.