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Mostrando postagens de novembro, 2010
ERA UM DIA DE SOL, NORMAL, EXATAMENTE COMO QUALQUER OUTRO DIA DE SOL, NORMAL, só que nesse dia, aparentemente normal, morreu Antonio Carlos. Acordei cedo, o sol me tirando da cama e o cachorro me lambendo o rosto. Como pode ele gostar de remelas noturnas e cheiro de cigarro amassado entranhado nos meus ralos cabelos que me despencam pela testa enrugada? Minha mão calosa passa pelo seu pelo aveludado da cor do ébano, ele boceja, de satisfação, e eu também, de sono, e preguiçosamente me dirijo ao banheiro, com todo cuidado, dando tempo para a minha coluna se adaptar à mudança da horizontal pela vertical. Enquanto escovo os dentes examino meu rosto devastado pelo tempo. Penso em comprar outro espelho que me favoreça, igual ao da casa do Artur, no entanto desisto, vai dar trabalho essa pesquisa que não vai levar a nada. Ainda bem que o pacote vem todo junto: rosto, pele, corpo e órgãos, em processo de degeneração contínua e permanente. Seguro o tranco, até onde não sei, vou levando. O s...