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A CASINHA NO TOPO DA LADEIRA

O condomínio se alastrava por um terreno plano, apenas com uma casinha isolada no alto de uma ladeira. Habitado por gente simples e pacata, todos se assustaram quando o novo morador chegou. Sujeito de poucas falas, deixou claro que não queria conversas e muito menos se integrar na pequena comunidade. Instalou-se no seu bunker com a família em dias pares e as amantes, jovens meninas, pobres e da periferia, em dias ímpares. Trazia sempre à cintura uma arma, para provar a macheza. Adquiriu vários cães, sinal de empoderamento na sua tosca visão, e danou-se para os moradores que se irritavam com os constantes latidos. Quem mais se irritava com os latidos e as orgias eram os moradores da proximidade de sua casa. O que fazer? Todos tinham medo do homem, um sujeito mancomunado com bandidos e milicianos. O síndico era um banana, ele também morto de medo por um confronto com pessoa tão perigosa. Conversa vai, conversa vem, optaram pelo método mais simples: envenenamento progressivo, já que até a...

MEMÓRIA RASGADA

    A foto nada mais me dizia descansava em cima da mesa numa moldura dourada O dourado desbotou e a lembrança também Num rompante tirei a foto da moldura rasguei em pedaços a lembrança já rasgada na memória E na moldura também desgastada pelo tempo coloquei outra foto De cachorros amados estes sim, que nunca saíram da minha lembrança    

A FARRA DOS DOMÉSTICOS

O casal trabalhava para um senhor militar de avançada idade casado com uma jovem de 30 anos, no máximo. A casa era no alto de um condomínio para lá de exclusivo, com monitoramento de câmeras por todo o lado. O que seduzia os empregados que trabalhavam na casa, era a sala de musculação com aparelhos de última geração, além de uma banheira magnífica de hidromassagem. Depois de pegarem a confiança de seus patrões, se sentiram no direito de usufruir do espaço fitness. E começaram na bicicleta, depois passaram para o remo, chamaram os filhos e a farra virou rotina. Até que um dia, o idoso com sua companheira chegaram sem avisar e o que viram foi surpreendente. O espaço fitness totalmente ocupado pela turma e a piscina entupida de crianças. Foi um deus nos acuda, saíram todos de calças na mão. Perderam o emprego e o casal colocou câmeras por todos os lados. Acabou  o problema.  

FIM

  Ciça se espantou com o tamanho da porta imensa, entre nuvens trazia na mão duas sacolas. Se fez presente. Um idoso esfarrapado a abre. Ao vê-la, estranha e pergunta: Roupas para a viagem? Ciça encabulada retruca: Não, nessa aqui minhas boas intenções e nesta outra as maldades que cometi. São Pedro  reflete e diz: Deixa tudo aí e entre. Sinta-se em casa.
era para ser uma manhã ensolarada mas, o dia amanheceu escuro banhado por um sol cinzento