A CASINHA NO TOPO DA LADEIRA

O condomínio se alastrava por um terreno plano, apenas com uma casinha isolada no alto de uma ladeira. Habitado por gente simples e pacata, todos se assustaram quando o novo morador chegou. Sujeito de poucas falas, deixou claro que não queria conversas e muito menos se integrar na pequena comunidade. Instalou-se no seu bunker com a família em dias pares e as amantes, jovens meninas, pobres e da periferia, em dias ímpares. Trazia sempre à cintura uma arma, para provar a macheza. Adquiriu vários cães, sinal de empoderamento na sua tosca visão, e danou-se para os moradores que se irritavam com os constantes latidos. Quem mais se irritava com os latidos e as orgias eram os moradores da proximidade de sua casa. O que fazer? Todos tinham medo do homem, um sujeito mancomunado com bandidos e milicianos. O síndico era um banana, ele também morto de medo por um confronto com pessoa tão perigosa. Conversa vai, conversa vem, optaram pelo método mais simples: envenenamento progressivo, já que até a justiça falhara.  Uma dose hoje, outra amanhã, quem sabe? E assim o fizeram, e deu certo. Quem levava o veneno era uma menina linda dentro de seu cestinho de frutas. Em nome dos moradores oferecia também bolos feitos pela boleira de plantão. O sujeito se encantou e seu desejo carnal pela menina aumentava a cada dia. Foi um trabalho de formiguinha para não dar na pista, pois assassinato significa prisão. O condomínio em suspense aguardava o desfecho. Que nunca aconteceu, pois esse conto é mera ficção. Nada disso aconteceu. 





















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