DUAS IRMÃS
Diziam que vinham de família de classe média abonada. Diziam que tinham estudo. Diziam que foram casadas. Se tiveram filhos, ninguém sabia. Se ainda tinham parentes, ninguém sabia. O que se sabia, o que se sabe é que são duas pobres coitadas totalmente sós e que são chamadas de as loucas das margens dos rios. Até os cachorros fugiam delas depois de serem massacrados por suas carícias descontroladas. Seus corpos eram cobertos de andrajos escuros e os cabelos brancos e desgrenhados, já ralos, davam aos seus rostos um contorno macabro. Crianças lhes jogavam pedras e seus fedores empesteavam o ar quando passavam. Não tinham noção do tempo e muito menos do lugar onde estavam. Perdidas no vácuo de suas mentes tentavam sorrir com bocas sem dentes, talvez se lembrando que era assim que se comportavam em tempos idos. Sorrir para cativar, mas hoje não têm mais o que cativar. Esvaíram-se qual uma ampulheta de tempo, sem deixar vestígios.
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