AS TRÊS FILHAS DE DONA DINÁ.
Eram quietinhas e obedientes. Com a chegada da adolescência os humores mudaram. A mais velha tomou corpo, cresceu mais do que as outras e adorava se exibir na frente da casa usando um sumário biquini, numa cidade que não era praieira. A do meio, chegada à mãe, gostava mais dos livros do que exibir o corpo. E a caçula odiava o lugar em que vivia e tinha um sonho: América. Num dia de sol, a exibida fingia que regava as mirradas plantas do jardim da casa, quando passou um conversível, dirigido pelo playboy do bairro, aquele pelo qual as meninas babavam. O motorista parou, buzinou e lhe fez um sinal para entrar no carro. A moça olhou para os lados, para trás e não viu ninguém que lhe barrasse a intenção de se jogar nas poltronas vermelhas do carro ao som da Estrada de Santos, pela voz do Roberto. Mas, o paquera, aquele vizinho apaixonado e com medo de se declarar, ficava à espreita sempre que sua amada se exibia para o mundo. No que a amada entrou no carro, ele pegou a moto e foi atrá...