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Mostrando postagens de agosto, 2026

POR QUE CHORAS, MINHA LINDA?

Choro por um pai que se foi cedo demais Choro por ter me sentido tão só tendo que trilhar caminhos tão tortuosos Choro pelo meu ninho ter sido levado pelo tempo Choro de felicidade e dor Choro de medo Choro de alegria Choro de saudades de um tempo perdido no espaço Choro pela menina que fui pela mulher que sou E me pergunto se um dia chorarás por mim? para a minha querida Katherine  

ÚLTIMA CENA

A velha atriz se preparou para a estréia de sua nova peça. Autora, diretora e única atriz dessa nova montagem estava pronta para encarar um intervalo de dez anos sem exercer seu ofício. Ao se maquiar, percebeu com dor, que seu rosto se transformava no de um palhaço; os cabelos ralos e brancos foram escondidos numa peruca e teve medo da reação de seu público ao vê-la tão envellhecida. Quase na hora de entrar em cena pediu proteção aos deuses do teatro. Última campainha, hora de entrar. Respirou fundo e entrou de peito aberto. A esperá-la dois cães e um gato. 

A MORTE POR UM FIO

Sentou-se à mesa para almoçar. No prato arroz, feijão, farofa, galinha e algumas flores de brócolis. Estava com fome. Ao mesmo tempo que comia olhava o instagram. Distraiu-se e numa garfada a farofa entalou-se na glote. A mulher se desesperou. Suou frio por alguns eternos minutos, gotas de suor escorriam pelo rosto, o desespero para respirar pelo nariz acentuava seu sofrimento e teve certeza de que morreria ali, naquele momento por causa de grãos de farofa. Num esforço supremo, a respiração nasal era a tábua de salvação por fim, conseguiu restabelecer o sistema respiratório. Farofa, nunca mais.