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DENZEL E JOLIE

DENZEL X JOLIE             O amor surgiu de mansinho. A princípio viam-se apenas. A curiosidade os impeliu a se aproximarem um do outro. Ficavam horas andando de um lado para o outro, ciosos da seriedade do encontro, imersos num mundo próprio e bastante particular.             Dava gosto olhar o casal. Ele negro, grande, de porte altivo, e olhos cor de mel. Ela, clara, mais alta do que ele, esbelta e dona de olhos profundos e meigos. Ele era o ciumento, ninguém podia se aproximar deles que ele mostrava os dentes com raiva e com isso afugentava futuros pretendentes. Ela se divertia, e jogava o imenso rabo de cavalo para um lado e para o outro, espantando até as moscas.             Ele é o meu cachorro Denzel e ela, a égua Angelina Jolie, do vizinho. P.S.          ...

CHUVA

CHUVA o dia cinza e nublado convida os pingos de chuva a cair a princípio caem leve e a terra exala  suave perfume depois, caem fortes e pesados  nuvem densa da água desce dos céus silêncio total mortal

NOITE

NOITE o breu na noite me assombra tudo está tão quieto pássaros dormem no aconchego de seus ninhos um latido aqui outro acolá são os sons que escuto também eu, assombrada e quieta no aconchego de meu lar

FELICIDADE

Felicidade pra mim é a minha casinha na serra no alto da montanha onde o azul do céu se encontra com o verde da mata Felicidade pra mim é sentir o beijo do sol no corpo, no jardim onde reinam flores de vários matizes Felicidade pra mim é viver cercada de bicho de plantas, livros e música de ver meus cachorros livres, correndo e brincando nessa minha linda casinha da serra

A MENINA

A MENINA o macacão era marrom como marrom eram as estrelinhas na fita creme que lhe prendia os negros cabelos a menina quatro anos no máximo sorri para a câmera matreira mãos nos bolsos a imagem se eterniza na foto amarelada caída ao chão esquecida no tempo a  velha senhora apanha a foto seus cabelos são brancos em nada lembram o negro de outrora mas o sorriso ainda é o mesmo uma dor envolve seu coração são tantas as lembranças que saudade uma lágrima teima em cair                                e cai                              ao chão

O VESTIDO AZUL

            Vi o vestido na vitrine de uma loja popular. Destacava-se dos demais, talvez pela cor, talvez pelo decote bonito. Vi a moça dentro dele. Olhava-se no espelho, ajeitava-o ao corpo e virava-se em vários ângulos para ver-lhe o caimento. Com dedos ágeis procurou uma flor que estava esperando por ela em cima da penteadeira. Colocou-a nos cabelos. Gostou do efeito e sorriu tímida. Mirava-se com satisfação. Estava mesmo muito bonita. Calçou as sandálias de saltos altos e borrifou umas gotas de perfume nos cabelos e no colo de rainha. Sabia-se sedutora e seus olhinhos brilhantes antecipavam momentos agradáveis. Pegou a bolsa, desligou a luz e fechou a porta atrás de si. E eu continuei olhando o vestido azul na vitrine de uma loja popular.

O AVÔ E SEU NETO

Os dois se aproximaram dos livros expostos na bancada central da livraria. Entraram um pouco receosos com a sofisticação do lugar, eles que eram pessoas tão simples. Executivos falando ao celular, moças bonitas, perfumadas e elegantes folheando revistas enquanto sorviam cafés incrementados, sentadas nas mesas ao fundo, crianças bem vestidas  acompanhadas de seus pais escolhendo coloridos livros infantis e atendentes com caras entediadas andando de um lado para o outro, mostrando a eficiência do não fazer nada. Mesmo assim, os dois outsiders venceram a timidez e se aproximaram da estante de livros juvenis. O avô escolheu um ao acaso e se postaram em frente a uma mesa de quatro lugares ocupada por uma jovem ouvindo música no Ipod enquanto teclava furiosamente o seu laptop. Ao redor da mesa e das cadeiras, mochila, celular e alguns cadernos. Sem saber o que fazer para chamar a atenção da moça, optaram por aguardar para ver se ela se dava conta que eles desejavam se sentar. Ela ...