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MANHÃ NA SERRA

                Acabara de sair do chuveiro, quando os cachorros começaram a latir furiosamente. Enrolou-se no roupão e saiu, apreensiva, pela porta da cozinha. Olhou para todos os lados e não viu nada que pudesse ter provocado latidos tão fortes. A casa ficava afastada, sozinha, no meio de muitas árvores. Era difícil vê-la da estrada, por isso mantinha dois pastores adestrados para alguma eventualidade. Ajustou o roupão no corpo, estava nua, dando um laço com cuidado, deixando-o justo e cintado e, de repente, fazendo esse pequeno movimento tão banal, se sentiu sexy. Desejou que houvesse alguém ali para desatar o laço, e como num filme, a levasse para a cama para uns minutos de sexo selvagem. Não havia ninguém há muito tempo.             Voltou para dentro da casa, o frio convidada para uma bebida quente. Acendeu o fogo para um café. Preparou a mesa par...

Á DERIVA

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À DERIVA Sento no banquinho tosco no meu jardim  Meus dois cachorros brincam entre si Não penso Hoje estou cansada Carrego nos ombros centenas de anos Olho pra eles Tão felizes Tão novos Brotando para a vida. Nada os preocupa Têm carinho, comida e abrigo E uma dona que os ama Não precisam de mais Sinto-me útil Sou parte desse trio Mergulho nesse minuto atemporal E jogo pra cima o lixo do dia a dia

DENZEL E JOLIE

DENZEL X JOLIE             O amor surgiu de mansinho. A princípio viam-se apenas. A curiosidade os impeliu a se aproximarem um do outro. Ficavam horas andando de um lado para o outro, ciosos da seriedade do encontro, imersos num mundo próprio e bastante particular.             Dava gosto olhar o casal. Ele negro, grande, de porte altivo, e olhos cor de mel. Ela, clara, mais alta do que ele, esbelta e dona de olhos profundos e meigos. Ele era o ciumento, ninguém podia se aproximar deles que ele mostrava os dentes com raiva e com isso afugentava futuros pretendentes. Ela se divertia, e jogava o imenso rabo de cavalo para um lado e para o outro, espantando até as moscas.             Ele é o meu cachorro Denzel e ela, a égua Angelina Jolie, do vizinho. P.S.          ...

CHUVA

CHUVA o dia cinza e nublado convida os pingos de chuva a cair a princípio caem leve e a terra exala  suave perfume depois, caem fortes e pesados  nuvem densa da água desce dos céus silêncio total mortal

NOITE

NOITE o breu na noite me assombra tudo está tão quieto pássaros dormem no aconchego de seus ninhos um latido aqui outro acolá são os sons que escuto também eu, assombrada e quieta no aconchego de meu lar

FELICIDADE

Felicidade pra mim é a minha casinha na serra no alto da montanha onde o azul do céu se encontra com o verde da mata Felicidade pra mim é sentir o beijo do sol no corpo, no jardim onde reinam flores de vários matizes Felicidade pra mim é viver cercada de bicho de plantas, livros e música de ver meus cachorros livres, correndo e brincando nessa minha linda casinha da serra

A MENINA

A MENINA o macacão era marrom como marrom eram as estrelinhas na fita creme que lhe prendia os negros cabelos a menina quatro anos no máximo sorri para a câmera matreira mãos nos bolsos a imagem se eterniza na foto amarelada caída ao chão esquecida no tempo a  velha senhora apanha a foto seus cabelos são brancos em nada lembram o negro de outrora mas o sorriso ainda é o mesmo uma dor envolve seu coração são tantas as lembranças que saudade uma lágrima teima em cair                                e cai                              ao chão