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ERA UMA VEZ UM REI.

O convite para trabalhar num museu tão importante pela sua história e tradição veio a calhar. Estava desempregada, contas atrasadas a pagar, emagrecendo a olhos vistos para alimentar o meu filho, enfim, no caos instalado na minha vida, o júbilo por terem se lembrado de mim compensou a dor constante do estomago vazio. O prédio imponente ocupava quase um quarteirão. Estava mal cuidado, como quase tudo no país, mas ninguém se importava muito. Para falar a verdade, o museu era frequentado por muito poucos, e a maioria da população, pobre e semi-analfabeta não estava nem aí para a cultura e as artes. O país entrava no obscurantismo intelectual e artístico. Fui recepcionada pelo diretor, logo no grande hall de entrada, com cacos espalhados pelo chão. Não ousei perguntar o motivo,chega de desgraças. Levou-me à sala onde seria o meu espaço de trabalho. Sala pequena, simples, mesa, computador, impressora, cadeira e uma estante contendo livros de Antropologia, e Biblioteconomia. Havia uma j...

O ABRAÇO NO CHICO BUARQUE

Para Chico Buarque de Hollanda. A sala era ampla. Poderia ser um galpão ou estúdio. Em cima de uma mesa pequena, retangular, um livro sobre Antonio Carlos Jobim. Um marcador sinalizava que o leitor estava no fim do livro, que por sinal era grosso. Peguei-o e ao começar a folheá-lo ouvi uma voz ao longe, dizendo, "esse livro tem dono". Não foi falado em tom agressivo, diria que até tinha humor. E a voz, pra lá de familiar. Uma voz que ouço há 50 anos, em diferentes nuances. Virei-me e lá estava ele, Chico Buarque, sorrindo, os dentes da frente separados, e jovem, tão jovem quanto eu. Não entendi nada, só sei que corri e me joguei nos seus braços. Recebeu-me em concha de afeto e reconhecimento. Por alguns segundos não acreditei no que estava acontecendo, e deixei-me ficar. Depois, tal e qual uma metralhadora giratória fui falando da sua trajetória, tão entrelaçada com a minha, das alegrias que suas canções me davam, e só o fato de sabê-lo vivo, me deixava feliz. Como p...

DIREITA VOLVER

1, 2, 3 Bradam em coro os meninos Calças curtas Porretes na mão. Na frente, o general da banda Frajola no seu fato de gala Orgulho pátrio Nação acima de tudo Vão marchando 1,2,3 Porretes na mão Vendas nos olhos Quem ousar desafiar Mate, esfole e come Nação acima de tudo. E lá vai o general da banda Frajola no seu fato de gala .

O REI E SEUS FILHOS

Era uma   VEZ , num reino muito grande e distante, localizado num continente, um tanto desprezado pelo seu atraso educacional, civilizatório e progressivo, onde a corrupção corre solta e os abismos sociais são devastadores, um capitão ascendeu ao trono máximo daquela nação, uma vez que o monarca recém-falecido não possuía herdeiros, e o capitão era seu auxiliar direto. Embora não fosse lá grande coisa na corte, onde suas ideias cheias de preconceito e seu jeito caipira só agradavam mesmo ao rei, o capitão, de uma hora para a outra se viu alçado a autoridade máxima do reino, sob a proteção das autoridades militares, que o preferiam a qualquer outro que mostrasse inteligência e desenvoltura política. Achavam os militares, que o capitão seria fácil de manipulação. Esqueceram dos herdeiros 01, 02, 03, de sangue quente, arrogantes e destemidos. Para bem da verdade, o capitão apregoava que acabaria com a corrupção, e que sua corte seria formada por técnicos e não por políticos ávidos ...

OS PITBULLS DO PRESIDENTE, UM RAP

São meninos, são garotos são os homens do presidente lambem e se empapuçam da magia do poder são bajulados, são ouvidos, estão na rede, estão aqui estão ali e acolá a origem é simples e ricos vão ficar político no brasil? não morre pobre não dão dor de cabeça falam o que sabem e o que não sabem e escondem as trapaças agora que são os filhos do homem quem é o besta que com eles vai se meter mandam e desmandam e papai dá o aval é o quarteto governando o brasil

MARROCOS

O cheiro das oliveiras perfuma o ar que entra pelas janelas abertas do carro inebrio-me com o forte aroma que me acompanha por um bom tempo alimentando minha alma tão faminta ah, Marrocos tão enigmática o que se vê não é o que é ah Marrocos terra de infinitas tâmaras dos argans e de diversos mel

A BAILARINA

                Para a querida Eliana  Cancela, divina na sua arte e que me fez muito feliz em todas as vezes que a vi dançar. Muito obrigada, sua foto é a inspiração deste poema. A bailarina olha a foto A pose magnífica revela a técnica apurada Naquele momento a emoção Eternizada no flash da câmera Extasia quem vê E a ela também Que não se supunha tão bela Tantas décadas passaram Casou, teve filhos Não dança mais Embora as pernas irrequietas Junto à elegância do corpo Revelem a bailarina de outrora No entanto, é ao dormir Que seus sonhos a levam para o palco Onde suas pernas adjetivas Irriquietas no dia-a-dia  Dançam, dançam e dançam Numa sofreguidão sem fim A bailarina dança sorrindo Ali ela revive seus solos Onde piruetas, arabesques e pas-de-chat Fazem parte de uma coreografia especial Pois o momento é único Dela e apenas dela Mas,...