SE EXISTIU, NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU
Livre de amarras Ana comandava seu mundo. Aparentemente frágil e doce, era uma fortaleza inexpugnável, nem os pais lhe tinham acesso, desde pequena. Educada e reservada trafegava no seu mundo, aparentemente sem precisar ou compartilhar suas emoções, gostos ou mesmo revelar inseguranças ou emoções. Também era pragmática, enfim uma mulher fascinante. Gostava de mulheres, mas o desejo de parir falou mais forte e se pôs a campo para escolher o parceiro. Lúcio era um sujeito pacato, assim de primeiro até assexuado, mas sob o prisma de um olhar mais aguçado era de uma feminilidade tocante. Também ele gostava de moços. Ao se conhecerem a química aconteceu. Foi numa rodada de chope num bar do Leblon, que Ana numa virada de cabeça o encontrou, solitário, numa mesa de canto. A mesa em que ela se encontrava estava animada, o álcool já fazendo efeito. Seu olhar se cruzou com o de Lúcio; ela levantou seu copo, e num gesto mínimo, quase imperceptível, lhe convidou a vir para a...