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PAUSA

O vento acaricia as folhas da árvore os galhos delgados lhe acompanham o movimento são três as meninas dançantes que tal e qual aos galhos  se movem como as palavras num poema escritas pelo poeta num momento de inspiração seus corpos são troncos delgados não se vê seios ou nádegas são lisos, espantosamente lisos andróginos, infantis seus membros ganham em beleza são braços etéreos, folhas vibrantes são pernas, galhos elegantes delineados e fortes que as levam para lá e para cá e as fazem voar movimentos precisos e belos a harmonia plena é a morada eterna desses seres dançantes tão belos o poeta vê a cena e a eterniza no poema

BIRA, UM MENINO BRASILEIRO

Bira tem 10 anos, filho de pai analfabeto, e mãe semianalfabeta. Com as escolas fechadas durante o ápice do Coronavirus, o pouco que havia aprendido na escola, e mal, foi para o ralo. Voltou à escola esse ano, o ano da graça (eu diria, miséria) de 2022, e o retrocesso pelo qual ele passou, a educação pública e o próprio país, estão registrados nessa figura em formação, um menino sem, sem. Sem preparo, sem futuro, sem nada. Duvido que a escola pública, a qual frequenta, possa fazer alguma coisa por ele. E muito menos seus pais, que não têm a mínima noção da importância do estudo. Seu empoderamento está no uso do celular. Passa horas, deitado ou sentado, com o aparelho na mão. Olho para Bira e imagino quantos mais nessa situação. Não se precisa ser vidente, para visualizar um futuro zero. Sem profissão, sem meios dignos para sobreviver, comer e viver. Vai ficar sempre na periferia. Seus pais não têm a mínima noção do país em que vivem. São trabalhadores, honram seus empregos, são h...

JÔ

Morreu o Jô não, ele jamais morrerá está vivo na memória da cultura brasileira almas tristes, corações  partidos lágrimas escancaradas, ou furtivas o povo rende homenagens a um dos seus artistas maiores participamos juntos do adeus o dia hoje  está cinzento assim também é como me sinto cumpro as tarefas domésticas estou viva, preciso celebrar na linha de frente daqui a pouco sou eu Viva JÔ, Viva o Gordo saudades daqui  a pouco a gente se vê.

O BANHO DO PASSARINHO

da janela ela o viu tão pequeno o passarinho chegou devagar sentiu o ar e jogou-se nas folhas da bromélia deliciou-se na água acumulada nos cantos das planta saiu, espanejou-se e voltou a voar ela sabia que outros viriam por isso sempre aguava suas plantas sua contribuição à natureza tão exuberante ao redor.  

JAZZ

Primeiro os metais os clarinetes vibrando o som inundou minha alma tão sombria nesses últimos dias também ela vibrou com os metais depois, um a um outros instrumentos juntaram-se  e a banda completa tocou Duke, Coltrane, Davis, Jobim e tantos mais os ídolos da minha vida Por alguns minutos fui tocada pela magia da música o lado sombrio deu lugar a luz a felicidade de poder ouvir esses sons tão divinos e divagar pelo espaço sem preço.  

TROCANDO AS BOLAS

acordei animada tomei café,  e me preparei para a aula on line tudo hoje é virtual até o sexo, sinal dos tempos entrei no zoom e esperei... ninguém estranhei liguei pra Sílvia o que aconteceu? ela riu, hoje é domingo domingo? ri também será que pirei?  sim, troquei as bolas hoje é domingo a aula é amanhã  

SONHO OU PESADELO?

    A dor na coluna me atormentava há dias, aliás há meses. Procurei de tudo, fisioterapia, acupuntura, que me proporcionavam alívio momentâneo, porque logo, logo a dor voltava a me atormentar. Meu corpo é velho e cansado com todas as degenerações próprias da idade. Hoje, exausta, me deitei após o café da manhã. Entrei em sono pesado e fui acordada por alguém que puxava a minha perna direita, justo aquela onde tenho a maior contratura ciática, e fazia uma mensagem espetacular. Aliviava todas as minhas dores. Quis agradecer. Primeiro, perguntei-lhe o nome.   Vera. Mas não era a minha comadre, que se chama Vera, muito menos a antiga proprietária de um imóvel que aluguei anos atrás. Fiquei confusa, quem seria essa Vera, que me ajudava tanto naquele momento. Quis agradecê-la, mas meu corpo não movia, e os olhos permaneciam fechados, por mais que eu tentasse abri-los. Foi um verdadeiro sufoco. Achei que estivesse cega, porque havia o comando cerebral para abrir os olho...