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UMA ARANHA NO BOX

Entrei leve e solta no box para um banho rejuvenescedor. A ideia era hidratar o cabelo, enquanto me ensaboava com o sabonete francês, o óleo marroquino, e a esponja felpuda italiana. Só faltei assoviar. O tempo chuvoso e frio convidava. Ao realizar a primeira tarefa, que era o xampu, para logo depois colocar o hidratante, me deparei com ela, tentando subir pela paredes do azulejo. Gritei, claro, sapateei de nojo, medo, e, pelada, com as banhas balançando, saí quase que voando rumo a vassoura que costumo colocar atrás da porta. Lembrem-se que o  tempo estava frio. Mas, a emoção do momento me manteve quente. Pequei a vassoura e voltei ao box determinada a dar cabo da maldita. Brandia a vassoura e gritava palavras de ordem. Abati-a de um golpe só. Era grande a danada. Restos mortais da ardrópode  escoaram pelo ralo e eu pude me deliciar com a água quente que cobria o meu corpo, me deixando cheirosinha para outros olfatos. 

AH RITA, ATÉ VOCÊ?

Santa Rita de Sampa sempre irreverente, sempre genial A Rita das cambalhotas do lança-perfume no cangote que gostava de bailar a atriz palhaça preferida das crianças e dos marmanjos também luz maior em todas as ribaltas a noiva do subúrbio mutante sempre Rita que também era Lee e Jones sedutora irreverente genial artista maior  e como Elis, Gal e tantas outras fadas cantantes virou estrela.  

UM OLHAR SOBRE O AMANHÃ

                              Ana Elisa e Jorge se conheciam desde crianças. Foram da mesma escola, moravam no mesmo bairro e aos dez anos de ambos Jorge pediu-lhe a mão em casamento. Ela assentiu e marcaram o casamento para dali a dez anos. Formaram-se em Pedagogia, casaram-se logo depois. Planos para o futuro tinham em excesso: formar uma família, três filhos, comprar a casa própria e ter a sua própria escola, pequena e com muita qualidade de ensino. Uma escola nos moldes de Oga Mitá, surgida no final dos anos 70, fruto de um projeto de jovens amigos que sonhavam uma escola fora dos moldes tradicionais. Inspiravam-se em Summerhill, na Inglaterra, considerada a escola mais democrática no mundo, onde se aprendia, sendo. Cursavam o último ano de Pedagogia na Universidade Santa Úrsula, quando a professora falou com entusiasmo sobre a Escola Oga Mitá, na Rua M...

ENCONTRO NO MERCADO

  Nos encontramos no estacionamento de um grande supermercado. Abri os braços e falei alto, sorridente e feliz ao vê-los: “como vai esse casal mais lindo?” Eles, naturalmente lisonjeados, me responderam e me causou estranheza a frase que veio logo após os rapapés iniciais, proferida pela mulher. “Você sabia que eu fui ao Japão?” pausei, e respondi, - “não”. Aliás, como iria saber? Raramente a vejo. E a mulher começou a descrever a viagem de seus sonhos. Enquanto ela falava, me dei conta que eu analisava esse tipo de comportamento. O que leva uma pessoa com quem você não tem nenhuma intimidade em começar uma conversa assim. Arrogância? falta do que falar? Para mim, ela ter ido ao Japão ou à Bahia, não faria a menor diferença. Aliás, você já foi à Bahia? Não? Então vá.

E LÁ SE FOI ALTAIR

PARA O MEU AMIGO LUIZ MARÇAL E lá se foi o meu amigo Altair num dia lindo de domingo Cansado da vida Há muito não queria mais viver o corpo custou a obedecer o que sua mente insistia em dizer "não tenho mais valia estou cansado preciso do sono eterno" e num domingo assim se foi o meu amigo Altair

FIM DE UMA ERA, UM CORDEL À LA MARIA ALICE

Foi-se o homem el capitán na frente da banda Um Dois Três Quatro que meio que escamoteado também fez das suas peraltices Reza a lenda que a mulher é piedosa se ajoelha em qualquer lugar e ora para o altíssimo "livrem-se do mal porque nós estamos salvos" e dito isso lá foram todos no aconchego de um pássaro potente que cruzou mares e montanhas e aportou em terras trumpianas Dizem as mais línguas que a justiça só é cega quando quer e agora em tempo de espera aguarda a volta da turma quem sabe de pernas e braços abertos Enquanto isso uma nova era se inicia e vamos todos embolados na esperança que dias melhores virão.

CHOVE CHUVA, CHOVE SEM PARAR

  dia sim, dia não a chuvinha rega a terra e também o meu coração tão seco nesses dias tão cinzas. a passarinha com seu canto diário parou de solfejar suas notas encantavam o dia ora regido pelos pingos da chuva ela se esconde eu também. meus cachorros preferem o seco ao molhado,  tão sábios, dia sim, dia não a chuvinha rega a terra e o meu coração.