DOENÇA TERMINAL
Doente há alguns anos, eu me submetia a tratamentos diversos: de vacinas anuais a injeções mensais. E não havia jeito de melhorar. Sabia que logo meu diagnóstico seria revelador: sem condições de viver, organismo interno totalmente deteriorado. Sentia-me já sem forças e no fundo agradecia aos esforços de todos. Alegrava-me estar chegando ao fim. Afinal foram tantos anos. Armaram uma parafernália à minha volta, chegando até a interditar a rua onde moro. Anestesiaram-me e começaram a me cortar, por partes. Via o sofrimento estampado nos rostos de meus amigos. Percebi o quanto era estimada. Confortou-me. Apesar da anestesia, sentia os golpes certeiros em meu tronco centenário. Demoraram duas semanas para me extirparem do solo onde nasci, cresci e vivi. Finalmente, meus restos forma levados pelo caminhão da prefeitura, para bem longe dali. No meu lugar plantaram outra palmeira imperial.