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Mostrando postagens de fevereiro, 2010

DOENÇA TERMINAL

Doente há alguns anos, eu me submetia a tratamentos diversos: de vacinas anuais a injeções mensais. E não havia jeito de melhorar. Sabia que logo meu diagnóstico seria revelador: sem condições de viver, organismo interno totalmente deteriorado. Sentia-me já sem forças e no fundo agradecia aos esforços de todos. Alegrava-me estar chegando ao fim. Afinal foram tantos anos. Armaram uma parafernália à minha volta, chegando até a interditar a rua onde moro. Anestesiaram-me e começaram a me cortar, por partes. Via o sofrimento estampado nos rostos de meus amigos. Percebi o quanto era estimada. Confortou-me. Apesar da anestesia, sentia os golpes certeiros em meu tronco centenário. Demoraram duas semanas para me extirparem do solo onde nasci, cresci e vivi. Finalmente, meus restos forma levados pelo caminhão da prefeitura, para bem longe dali. No meu lugar plantaram outra palmeira imperial.

CRÔNICA DE ANIVERSÁRIO

Ontem estava deprimida, mas hoje acordei legal. Dizem que é comum se sentir meio triste, antes ou até no dia do aniversário. É a tal da conjunção astral. Arhhhhh! A tristeza de ontem se deveu a morte de um parente e ao acidente da TAM. Os dois acontecimentos foram tão inesperados que não me deram tempo nem de pensar. Corri para o enterro, consolei como pude a amiga e voltei arrasada para casa, a tempo de ver ainda pela televisão o horror que foi os últimos minutos daqueles brasileiros. Não tinha nenhum parente ou amigo no fatídico vôo, mas foi como se tivesse. A dor comoveu o país inteiro, ainda mais que essa crise aérea já se alastra por dez meses. E esse tipo de morte assusta, e muito. Apesar de relativizar sobre a morte, a verdade é que quando ela chega nunca estou preparado para recebê-la, só o morto está, será? Nós todos ficamos à deriva, chorando e lamentando a perda da pessoa querida. E duvido quem não pense em si mesmo, ali naquele caixão, algum dia. Por isso não estava bem n...

UM DOMINGO DE SOL NO LEBLON

O dia lindo convidava a um mergulho. Olhei o relógio – 06h30min - fiz a higiene matinal, enfiei o biquíni, que tinha comprado no dia anterior, um número menor pra ficar bem justinho, ainda mais agora que estou com corpo de sereia, me lambuzei de bloqueador solar, e engolindo uma maçã peguei as chaves do carro e me mandei para o Leblon. Àquela hora poucas pessoas no mar e algumas outras poucas andando a beira-mar. Por um momento, fiquei entre o andar ou entrar na água, não foi difícil decidir pelo marzão, um mergulho seria tudo de bom e por alguns prazerosos minutos esqueci-me do mundo, boiando e olhando para o céu. E me lembrei que há anos não olhava para o céu, naquela posição. Minha paixão pela água é ancestral, acredito mesmo que fui do mar em algum momento e apesar de não ter memória da época em que fui feto desenvolvendo na barriga materna, posso afirmar que lá devo ter sido muito feliz. Quando criança gostava de boiar e olhar para o céu. Não pensava em nada, curtia o momento sent...