Postagens

O DIA EM QUE DANCEI PARA O ALVIN AILEY

                               O  DIA EM QUE DANCEI PARA O ALVIN AILEY                 Sempre gostei da dança, mais para apreciar do que fazer, meu corpo nunca ajudou muito, sem falar na minha total falta de graça. Mas, perseverar é do meu temperamento, portanto ao longo da minha vida sempre estive metida em algum tipo de aula, do balé clássico, ao moderno, sapateado, jazz e afro. Talvez dessas modalidades a que me saí um pouco melhor foi na dança afro, afinal batuque e meneios de corpo toda a brasileira, de um jeito ou de outro, tem.             Mercedes Batista era a professora. Uma mulata que fez parte do corpo de baile do Municipal e deve ter sofrido muito preconceito na época, pois não havia solos para dançarinas negras. Com o tempo, tornou-se professora respeit...

AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

                                                            A festa, na cobertura de um ricaço fervilhava; mulheres e homens bonitos, políticos, juízes, artistas, música ao vivo, e eu, sem muito saber o que fazia ali. Com quem eu vim? me perguntava, pois não conhecia absolutamente ninguém. Servia-me de uma taça de champanhe e me surpreendi com a moça bonita que se acercou sorrindo e brindou comigo. Enquanto nossos olhos flertavam, as taças se roçaram fazendo um ruído que começou mínimo e foi crescendo até se tornar insuportável. Tampei os ouvidos com as mãos e gritei o mais alto que pude.  Acordei de súbito, com o celular tocando insistentemente. O porteiro do prédio do meu tio, que eu não via há séculos, pedindo minha presença urgente porque achava que alguma coisa tinha acontecido com o velho.  ...

MANHÃ NA SERRA

                Acabara de sair do chuveiro, quando os cachorros começaram a latir furiosamente. Enrolou-se no roupão e saiu, apreensiva, pela porta da cozinha. Olhou para todos os lados e não viu nada que pudesse ter provocado latidos tão fortes. A casa ficava afastada, sozinha, no meio de muitas árvores. Era difícil vê-la da estrada, por isso mantinha dois pastores adestrados para alguma eventualidade. Ajustou o roupão no corpo, estava nua, dando um laço com cuidado, deixando-o justo e cintado e, de repente, fazendo esse pequeno movimento tão banal, se sentiu sexy. Desejou que houvesse alguém ali para desatar o laço, e como num filme, a levasse para a cama para uns minutos de sexo selvagem. Não havia ninguém há muito tempo.             Voltou para dentro da casa, o frio convidada para uma bebida quente. Acendeu o fogo para um café. Preparou a mesa par...

Á DERIVA

Imagem
À DERIVA Sento no banquinho tosco no meu jardim  Meus dois cachorros brincam entre si Não penso Hoje estou cansada Carrego nos ombros centenas de anos Olho pra eles Tão felizes Tão novos Brotando para a vida. Nada os preocupa Têm carinho, comida e abrigo E uma dona que os ama Não precisam de mais Sinto-me útil Sou parte desse trio Mergulho nesse minuto atemporal E jogo pra cima o lixo do dia a dia

DENZEL E JOLIE

DENZEL X JOLIE             O amor surgiu de mansinho. A princípio viam-se apenas. A curiosidade os impeliu a se aproximarem um do outro. Ficavam horas andando de um lado para o outro, ciosos da seriedade do encontro, imersos num mundo próprio e bastante particular.             Dava gosto olhar o casal. Ele negro, grande, de porte altivo, e olhos cor de mel. Ela, clara, mais alta do que ele, esbelta e dona de olhos profundos e meigos. Ele era o ciumento, ninguém podia se aproximar deles que ele mostrava os dentes com raiva e com isso afugentava futuros pretendentes. Ela se divertia, e jogava o imenso rabo de cavalo para um lado e para o outro, espantando até as moscas.             Ele é o meu cachorro Denzel e ela, a égua Angelina Jolie, do vizinho. P.S.          ...

CHUVA

CHUVA o dia cinza e nublado convida os pingos de chuva a cair a princípio caem leve e a terra exala  suave perfume depois, caem fortes e pesados  nuvem densa da água desce dos céus silêncio total mortal

NOITE

NOITE o breu na noite me assombra tudo está tão quieto pássaros dormem no aconchego de seus ninhos um latido aqui outro acolá são os sons que escuto também eu, assombrada e quieta no aconchego de meu lar