O TRONO DE FATAH

A família morava numa casa modesta onde tudo faltava. O patriarca fazia reformas, aos poucos, de acordo com o salário que ganhava. A mulher também contribuía fazendo quentinhas que vendia num quiosque no centro da cidade. Cozinheira de mão cheia tinha  clientela fiel e ainda era chamada para cozinhar aos domingos nas casas dos endinheirados da região. Um dia, ela viu, por acaso, a  foto de um vaso sanitário, ornado com flores douradas, imponente, e se apaixonou. Queria por queria o tal do vaso. O preço equivalia, mais ou menos, o que tirava no quiosque, mas apostou que mais valia um desejo realizado do que a frustação de não poder realizá-lo, e seja o que deus quiser. Comprou o vaso e nada falou para a família. O vaso demorou a chegar, e quando chegou foi aquele oh  de estupefação. Todos maravilhados, levaram-no para o banheiro, onde tudo faltava, do chão as paredes. Porém, colocaram-no lá. Experimentaram  sentar nele. Todos ficaram com os pés no ar balançando, as crianças então, quase se afogaram. Não dá para cagar assim, mulher, melhor passá-lo adiante, mas ali quem iria comprar? Não havia jeito. Enquanto pensavam numa solução melhor, colocaram-no como objeto de decoração no meio da sala, que nem sofá tinha, apenas uma mesa e quatro cadeiras.
Se não podiam usá-lo ao menos, poderiam admirá-lo.

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