Os moradores daquele condomínio bradavam com paus e pedras em frente da casa do administrador. A turba enraivecida exigia melhoras prometidas há anos e nunca cumpridas. A mulher do homem apareceu na soleira da porta portando uma espingarda. Mulher forte, abundante de pelos nas axilas, pernas e sabe se lá onde mais, gritou empoderada para que a turma se afastasse do portão. Atrás dela, encolhido, o maridão, nessa altura maridinho, morrendo de medo do que poderia acontecer. O cachorro do casal, saiu por uma fresta da porta e se colocou ao lado dos manifestantes, observando a cena com seus olhos caninos, indecifráveis para todos. As pessoas exigiam luz, água e limpeza do terreno, o normal, mas ali era o anormal. Já não aguentavam também o excesso de cães, três a quatro por cada morador, sem falar naquele sujeito abjeto que tinha, pelo menos, dez, e que ficavam nas mãos da caseira, que trabalhava dia sim, dia não, o que provocava ira nos caninos, que se alimentavam dia sim, dia não. Exigia...